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Canguçu, Rio Grande do Sul, Brazil
Teólogo e jornalista. Casado com a Elisângela; pai do Filipe Daniel e do Victor Miguel. Gremista.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cloaca News: YEDA CRUSIUS INAUGURA PEDAÇO DE PAU FOSSILIZADO

Cloaca News: YEDA CRUSIUS INAUGURA PEDAÇO DE PAU FOSSILIZADO: ". No bruxulear de sua despirocada temporada como governadora do Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius resolveu deixar como legado, além ..."

domingo, 26 de dezembro de 2010

Um pouco de poesia...


Quando andava de trem, nas idas e vindas da Ulbra, volta e meia tropeçava em poemas. Alguns muito bem escritos.
Eis um que valeu a pena anotar:

O Último Ato

Prisioneira no cárcere dos insanos,
ela encena sua vida pela rua,
maltrapilha, envolta em poucos panos,
faz mesuras às estrelas e a lua.

Busca a vida, pela morte carcomida,
seu decurso vital se vai, fenece,
a soberba, no entanto, burla o termo,
desse resto de vida que perece.

E, com pose de rainha, em seu delírio
se descobre das vestes e da vida,
e dança e canta alegremente
seu canto fugaz de despedida.


Maria Teresinha Durfa Silva

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Frase do dia...

"A riqueza me faz lembrar o estrume no campo. Quando fica em uma pilha grande provoca mau cheiro. Mas quando está distribuído por todo o campo, torna o solo fértil."
Leon Tolstoi

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Frase do dia...

"A vida é um show, e por trás de um ator ou atriz que falha, há sempre uma pessoa machucada nos bastidores."
Augusto Cury, em O Vendedor de Sonhos - a revolta dos anônimos, p. 47.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vale o quanto pesa...


Desejo

Desejo primeiro que você ame, e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis, e que pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
e que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra, com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco
e ouça o joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal,
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você,
mas que se morrer, você possa chorar, sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem, tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher, tenha um bom homem.
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a te desejar ".

Victor Hugo – romancista francês

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Imagem e mensagem do dia II

Imagem e mensagem do dia...


"... Muteba Kidiaba; Joel Kimwaki, Kiritcho Kasusula, Miala Nkulukuta, Amia Ekanga; Kazembe Mihayo, Mbenza Bedi, Dioko Kaluyituka, Mukok Kanda; Given Singuluma e Mulota Kabangu..."

domingo, 12 de dezembro de 2010

É necessário desembrulhar o presente...

Presentes geralmente vem embrulhados. Na loja, a pergunta clássica: "É pra presente? Então a gente embrulha."

Algumas vezes o embrulho serve como enfeite, outras vezes para proteger o conteúdo. Ainda outras vezes o embrulho serve para 'testar' o presenteado. É quando o tamanho ou a forma do embrulho não tem nada a ver com o conteúdo. Nos chás de panela, de fralda, de... enfim. Sempre sai alguém todo pintado porque não reconheceu o conteúdo do presente.

Época de Natal é época bem sugestiva para presentes. Arrisco dizer que Natal é presente. É a lembrança do dia em que Deus presenteou o mundo. Presente embrulhado. Presente que surpreendeu muitos. Que decepcionou outros tantos. Mas que alegrou multidões até hoje.

- "Será motivo de grande alegria para todo o povo", afirmaram os anjos.

Presente que veio com detalhes tão rústicos na entrega: recenseamento; viagem tumultuada... falta de lugar nos hotéis... curral... coxo. E não pára por aí. Tem ainda os cuidadores de ovelhas recebendo visita de anjos... astrônomos percebendo nos livros antigos que uma promessa tinha sido cumprida... e a parte pior: crianças mortas porque alguém queria evitar que o presente vivesse.

É necessário desembrulhar o presente. O embrulho serve para algumas coisas, mas o essencial é o conteúdo. É difícil alguém dar um presente onde o importante é o embrulho. Seria no mínimo estranho. Deus não é estranho. Deus gosta de dar presentes. O do primeiro Natal foi o maior de todos. Veio embrulhado de forma estranha. Mas o conteúdo não é estranho.

É necessário desembrulhar o presente. Infelizmente o ser humano é especialista em embrulhos. É especialista em embrulhar as coisas. Quando após uns trinta anos, Jesus publicamente se revela como o grande presente de Deus ao mundo, muitos disseram não.

- "Preferimos o embrulho. Preferimos o milagreiro. Preferimos o homem que conta bonitas histórias com uma moral interessante. Preferimos o carpinteiro famoso pelas boas palestras públicas... Ainda mais se tiver pão e peixe de graça de vez em quando."

E quando Jesus começa a falar em morte e ressurreição; em pecado e a necessidade de perdão. Aí então não dá. Definitivamente embrulhou de vez.

- "Não te conhecemos mais Jesus! Larga a mão de ser doido! Queremos um líder popular para a revolta contra os romanos."

- "Meu reino não é deste mundo. É necessário que o Filho do Homem sofra numa cruz."

Então resolvem que este lunático precisa ser eliminado, porque não era quem se esperava que fosse. Era falso. Não correspondia às expectativas. E a história que começou com embrulhos de humildade e simplicidade agora tem seus momentos mais fortes cobertos de sangue. Sangue do presente de Deus. A humanidade fez o presente de Deus sangrar e morrer sufocado numa vergonhosa cruz. E muitos não viram o presente, apenas o embrulho.

É necessário desembrulhar o presente. Deus desembrulha seu presente e o coloca na sala onde estão os discípulos, dois dias depois do escândalo da cruz, domingo à tarde. É o presente vivo, que as mulheres queriam perfumar na sepultura. O presente de Deus não fica na sepultura. O presente de Deus para o mundo se deixa tocar, come uns pães e peixes com os ainda admirados seguidores. Centenas de pessoas viram ele. Muitos ouviram ele dizer que voltaria para o Pai, mas não deixaria mais o mundo sozinho. O presente de Deus não foi provisório. Foi definitivo. Jesus sobe, mas garante: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos."

É necessário desembrulhar o presente. Aquele do primeiro natal, que veio embrulhado em tanta simplicidade que muitos não o reconheceram. Aquele que se revelou, mas muitos não admitiram a necessidade deste tipo de presente, e preferiram continuar com os embrulhos.

É necessário desembrulhar o presente que Deus oferece não só, mas de modo especial na festa de natal, e que, infelizmente continua embrulhado em tantos novos embrulhos de cores comerciais, de aparências, de excessos, enfim... afinal o ser humano é especialista em embrulhos.

É necessário desembrulhar o presente para que ele mostre seu valor. Para que ele faça o que lhe é próprio fazer, ou seja, desembrulhar nossa vida, nossas atitudes e, o melhor de tudo: desembrulhar nosso coração do pecado que o cobre e o esconde de Deus.

É necessário desembrulhar o presente. E então curtir o presente que se renova a cada novo dia. Não só nos dias festivos do natal e ano novo, mas a cada novo amanhecer. Deus nos presenteia pelo 'correio', que é a Palavra e , de modo muito especial, no Batismo e na Santa Ceia.

Um dia Deus manifestará completamente seus presentes. Não mandará mais pelo 'correio', mas compartilhará o que tem de melhor com todos os que aceitaram e desembrulharam o maior presente, do primeiro Natal.

Arnildo Münchow.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Simplicidade e Permanência...


A sociedade atual e, talvez desde sempre, carrega como uma de suas características a tendência à mudança, ao avanço. Isto, em termos gerais significa dizer que o movimento é do simples ao mais complexo, mais elaborado, mais isto ou mais aquilo outro. As coisas simples cheiram a coisas ultrapassadas.
Num artigo da revista Ultimato, edição 327 - nov/dez 2010, o pastor Ricardo Barbosa de Souza propõe o que para muitos seria um chamado ao atraso, à caretice e por aí vai.
O autor convida exatamente aqueles que mais estão inclinados ao novo, ao diferente, ou seja, aos jovens, a pensarem sobre a importância da simplicidade e da permanência. Em termos bem práticos o autor convida à uma vida simples e a permanecer no mesmo. Careta? Conservador? Vamos ver. Eis alguns recortes do texto:

 
..."De vez em quando gosto de reler "Cartas de um Diabo a seu Aprendiz", de C. S. Lewis. Sua habilidade em perscrutar os labirintos da tentação me impressionam. Ele nos ajuda a reconhecer nossa enorme ingenuidade e a profunda sagacidade do inimigo.
Em uma dessas cartas, o Diabo reconhece que o verdadeiro problema dos cristãos é que eles são 'simplesmente' cristãos. O laço que os une é a vida comum que eles têm em Cristo. Ele então aconselha seu sobrinho: "O que nós desejamos, se não houver mesmo jeito e os homens tiverem de tornar-se cristãos, é mantê-los num estado de espírito que eu chamo de cristianismo e alguma outra coisa [...]. Substitua a fé em si por alguma moda com colorido cristão. Faça com que tenham horror da 'mesma coisa de sempre".
A 'mesma coisa de sempre' nos deixa entediados. Ser 'simplesmente' cristão, para muitos, não é suficiente. Precisamos de coisas novas. Sempre. Modelos novos de igreja, um jeito diferente de cantar, formas inovadoras de culto, estratégias sofisticadas de crescimento, e por aí vai. Somos movidos pelas novidades, não pela profundidade. Nosso interesse está na variedade, não na densidade.
O Diabo, na carta ao seu sobrinho aprendiz, diz: 'O horror pela mesma coisa de sempre é uma das mais preciosas paixões que incutimos no coração humano -- uma fonte infinita de conselhos estúpidos, de infidelidade conjugal e de inconstâncias na amizade'. A lista poderia se estender, mas o que se encontra por trás desse 'horror pela mesma coisa de sempre' é a grande atração pelo novo seguida de uma profunda distração pelo essencial. O que a novidade faz é direcionar nossa atenção para outras preocupações, dando mais valor aos meios e não aos fins.
Não importa o quanto nossas igrejas e ministérios sejam sofisticados. Não importa o volume de novidades e tecnologias que oferecemos. Se no final não encontrarmos as mesmas coisas de sempre, significa que nos perdemos com o meio e não alcançamos o fim.
Existem dois aspectos que considero fundamentais na experiência espiritual cristã: simplicidade e permanência. Quando perguntaram para Jesus como o reino de Deus viria, ele respondeu afirmando o seu caráter discreto. Não viria com grande estardalhaço. Se estabeleceria dentro daqueles que o confessam como Senhor e Rei. Jesus apresenta um evangelho que transforma de dentro para fora. O que o vaso contém é infinitamente maior e mais valioso que o vaso. Ele cresce como uma pequena semente de mostarda. A simplicidade está na natureza própria do evangelho.
Permanecer é mais do que conhecer. É manter-se em constante e dinâmico relacionamento. As novidades não transformam o caráter; a permanência, sim."...

 
Muito oportuna a reflexão em tempos de inovação constante e numa velocidade cada vez maior. O que hoje está atual, amanhã perdeu sua utilidade. Num mundo dos descartáveis e substituíveis, o recado é muito atual e mais ainda, é fundamental para a vida e os propósitos da igreja cristã.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Gotas de realidade...

"Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de
 um galinheiro e o levaram para a delegacia.
 - Que vida mansa, heim, vagabundo ? Roubando
 galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar.
 Vai para a cadeia!
 - Não era para mim não. Era para vender.
 - Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência
 desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
 - Mas eu vendia mais caro.
 - Mais caro?
 - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro
 eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do
 galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas
 botavam ovos marrons.
 - Mas eram as mesmas galinhas, safado.
 - Os ovos das minhas eu pintava.
 - Que grande pilantra... (Mas já havia um certo
 respeito no tom do delegado)  Ainda bem que tu vai
 preso. Se o dono do galinheiro te pega...
 - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me
 comprometi a não espalhar mais boato sobre as
 galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os
 preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus.
 Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no
 nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso,
 um ovigopólio.
 - E o que você faz com o lucro do seu negócio?
 - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no
 tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou
três ministros. Consegui exclusividade no
 suprimento de galinhas e ovos para programas de
 alimentação do governo e superfaturo os preços.
 O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso
 e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não
 queria uma almofada. Depois perguntou:
 - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o
senhor não está milionário?
 - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de
 Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
 - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
 - Às vezes. Sabe como é...
 - Não sei não, excelência. Me explique.
 - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta
 de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de
 perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência
 do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente
 um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso,
 finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova.
 - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
 - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
 - Sim. Mas é primário, e com esses antecedentes..."
 
 Luis Fernando Veríssimo

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