Proponho um exercício de imaginação. O que diria um ‘ET’ se circulasse pelas ruas de
Canguçu e ouvisse meio dia de programação de rádio por estes dias? E comparasse o visto e ouvido com o mesmo
passeio realizado em, digamos, agosto? Quais diferenças ele notaria? Talvez
luzes... enfeites multicores nas vitrines... promoções... frases de efeito do
tipo: ‘Boas festas’; ‘muito amor e paz’; ‘que todos os seus sonhos se
realizem’; ou a clássica: ‘Feliz Natal e próspero ano novo’. Se for pelos
últimos dias antes das ‘festas’, sem dúvida filas, gente com penduricalhos
debaixo do braço, etc... Ah, sem contar a figura meio estranha, vestida de
vermelho, aspecto velho, sorriso constante que compõe a ornamentação de lojas e
ambientes públicos, causando medo em algumas crianças e curiosidade em outras
tantas.
Sendo um ‘ET’ de primeira viagem, que conclusão
poderia tirar? Arrisco afirmar que a conclusão seria mais ou menos esta: - A
época deste tal natal é a mais feliz do ano para os terráqueos. É a época onde,
estranhamente o tempo é mais curto e todos andam apressados, o que provoca
algum stress, mas tudo bem. É a época onde até desconhecidos trocam palavras
afetuosas.
Época de natal é uma época diferente do calendário.
Natal é época de contradições... muita festa, alegria e ‘boas festas’ pela
lembrança de um evento simples, pobre, mal-cheiroso, cruel, aflito, com
pequenos lampejos de alegria. Não era época de fim de ano... décimo terceiro ou
férias. Não foram possíveis grandes preparativos por parte das pessoas. Na
verdade o primeiro natal pegou muita gente desprevenida. (os personagens e o
contexto da história...)
Deus invadiu o mundo de um jeito muito estranho. De
um jeito meio sem graça.
O ambiente e contexto da história do nascimento não
tem muito de cena de cinema. É claro que os enfeites posteriores da história
ajudam a dar um ar mais romântico ao negócio. E a coisa virou negócio.
Natal não foi e nem é um evento mágico que pode
transformar seres comuns, ou seja, egoístas, preconceituosos e cheios de
conflitos, em seres melhores, ‘angelicais’.
No entanto a história, planejada e organizada por
Deus no primeiro natal, está carregada de signos. Símbolos que remetem ao
grande evento. Deus invade o mundo numa das maiores contradições da humanidade.
É simplicidade demais para o tamanho do acontecimento.
O problema é que o ser humano adora os sinais, mas
fica só neles. Não olha ao significado que, este sim, pode mudar a vida dos
outros trezentos e poucos dias do ano.
O ser humano consegue transformar os coadjuvantes em
atores principais. Não consegue discernir entre a moldura e o quadro. Ou seja,
não percebe que as luzes do natal não são simples luzes, mas remetem à Luz do
mundo; não percebe que os cuidadores de ovelhas, os estudiosos do oriente, os
anjos, Maria e José, são coadjuvantes do ator principal – Jesus Cristo. A
especialidade do ser humano é criar lendas, como transformar astrônomos em
astrologia barata; pai e mãe emprestados em ‘santos’ ou ainda criar o
papai-noel, que sequer figurou pelas bandas de Belém.
Muito oportuna a letra do hino cristão que afirma:
“É preciso parar, é preciso lembrar, que Cristo veio para nos salvar.”
É necessário desembrulhar o natal. Tirar o embrulho
e apreciar o presente, para não ficar contemplando a embalagem sem aproveitar o
conteúdo.
E agora, seguindo a linha da imaginação, o nosso
amigo ET fica até lá pelo dia três ou cinco de janeiro. Qual a impressão? Clima
de ressaca!! Tudo volta ao normal. E como é o normal?
Sem o ator principal - Cristo Salvador, todos os
votos, presentes e desejos de final de ano acabam frustrando tanto o emissor
quanto o receptor. Em janeiro ou fevereiro a rotina volta. As prestações chegam
e as vitrines estarão mais vazias. As luzes mais escassas. Então fará diferença
o natal cristão, que é Boa Nova para todos os povos: Cristo nasceu. De um jeito
estranhamente simples e comum. Para pessoas simples e comuns.
A
linguagem de Deus é extremamente simples. Os sinais são tão humanos que para
muitos é difícil acreditar que natal é tudo isso.