A Imitação de Cristo – a centralidade da cruz na luta contra a carne.
- KEMPIS, Thomas à. Trad. Hope Gordon Silva. Shedd Publicações – 1ª Ed. 2001, Santo Amaro, SP.
Um dos livros mais lidos nos últimos 500 anos. Este devocionário cristão foi impresso pela primeira vez em Augsburgo, no ano de 1486. O autor nasceu em Kempen, vila alemã da Prússia do Reno, em 1380. Esta obra traz verdadeiras pérolas, tiradas da Sagrada Escritura. Que tal esta: Jo. 14 6 – "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Sem o caminho, não há ida; sem a verdade, não há saber; sem a vida, não há viver"?
Eis um recorte, da página 29, do referido acima:
Até a próxima.
..."Faz-nos bem ter, por vezes, algum cansaço e cruzes, porque muitas vezes estes remetem a pessoa a seu próprio coração, para que ela saiba que está aqui em exílio e que não é permitido colocar sua confiança em nenhuma coisa mundana. É bom que, às vezes, suportemos ser contestados e que as pessoas pensem mal de nós; e isso, embora façamos e pretendamos o bem. Essas coisas ajudam muitas vezes a levar-nos à humildade e nos preservam da ostentação, pois buscamos a Deus mais para testemunha interior, quando exteriormente somos condenados pelas pessoas, e quando nada de bom pensam a nosso respeito.
O ser humano, pois, deve se estabelecer tão plenamente em Deus, que não precise buscar muitos consolos da parte das outras pessoas.
Quando um homem de boa vontade é afligido, tentado ou inquietado com pensamentos maus, então ele entende melhor a grande necessidade que tem de Deus, sem o qual ele percebe que nada pode fazer de bom.
É aí, também, que ele se entristece, lamenta e ora, por motivo das misérias que está sofrendo. Nessa altura, ele está cansado de continuar a viver e desejaria que a morte viesse, para que pudesse estar com Cristo. Ao mesmo tempo, percebe com clareza que perfeita segurança e plena paz não podem existir neste mundo."...
Esta é uma das lições mais difíceis para o ser humano. Perceber na aflição, nos dissabores da vida, inclusive nos grandes fracassos, a mão pedagógica de Deus nos chamando ao reconhecimento de que nada somos, nada merecemos e nada temos a exigir dele. Deus não nos deve nada. As bênçãos do dia-a-dia são 'extras' de sua misericórdia. O ser humano merece só sofrimento e maldição por causa de sua condição de pecado. Esta constatação é dura aos ouvidos de muitos. Mas é fundamental para a compreensão, aceitação e bom uso dos 'extras' com os quais Deus, além de nos dar o principal, a fé e a garantia da vida eterna, ainda nos agracia neste mundo. Que bom que Deus usa o megafone do sofrimento, porque o reconhecimento, a conversão do coração dificilmente se dão num sofá macio da 'boa vida'; mas geralmente no madeiro duro e rústico da cruz do sofrimento.
Até a próxima.
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